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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Poema da semana





841
Agora, diz-me que não consegues ver o mundo daqui.
A cegueira dos vizinhos, os gritos na cozinha, todas
as pequenas luzes que se acendem perto
onde dois homens se reúnem em seu nome;
os placards, os outdoors, os néons,
todas as palavras que não souberam inventar;
a ponte, a estrada, o bilhete que diz
que ninguém dormirá hoje em casa
e o pedido de desculpas do farmacêutico à mulher
pelo fármaco para as dores
de ter de ser.
O planeta que lamentamos não chegar a ser nosso está
certamente
a lamentar-se de outra coisa qualquer.
Porque é que te interrogas? Porque é que ainda
te debruças sobre as lutas que não foste lutar? Há
duas coisas esquecidas na mesa-de-cabeceira
do teu quarto da infância:
a infância e
o dossier com o projecto para aquilo que sonhavas crescer.
Que importa, agora, a parede e o papel de parede
com que forraste a vontade de ser outra coisa?
Os arqueólogos conduzirão as suas investigações e
os astronautas dir-te-ão como pareces do espaço.
No papel de carta da carta que nunca escrevi
ninguém poderá ler o que quer que seja.
E mesmo assim haverá alguém
todos os dias
à espera dessa carta
à espera de uma carta concreta
dizendo coisas concretas
destinadas, especialmente,
a ela.
De que vale, então, escrever?
Que coisas mudariam se fosses tu junto a uma daquelas luzes
e não tu aqui, agora, a olhá-las?
Alguém se debruça à janela e logo
irrompe adentro e
fecha a vidraça
e ecoa um breve toque de metal pela noite.
Se espera um carta,
ao menos envie o endereço.
O meu é fácil:
            Heartbreak Hotel
            ao teu lado
            quarto, 841,
            donde se avista o mundo possível.


Alexandre Borges, in Heartbreak Hotel, 2005

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A classe dos determinantes





Boa sorte!

MÁQUINA DE INVENTAR HISTÓRIAS?!!!!





 


Se gostares do resultado final, copia a tua história para uma folha e leva-a para a aula de Português...

Ficamos à espera da história mais "louca" para publicar AQUI!

Classes de palavras


O que sabes sobre o livro?







Podes deixar um comentário e partilhar a nota que tiveste... 

Boa viagem!
 

Pontuação



 (CLICA)

Diverte-te 

e

Bom trabalho!








sábado, 22 de setembro de 2012

LIVROS RECOMENDADOS



  «Entrei pela porta de um livro e fechei-me lá dentro com as palavras acesas e as luzes apagadas […] com medo de ser encontrado, eu saltava das páginas pares para as ímpares e enrodilhava-me, feito bicho–de-conta, entre dois parêntesis, ou, por ser muito magro, atrás de um ponto de exclamação.
                Era a primeira vez na minha vida que eu me fechava dentro de um livro. Antes já me fechara dentro de um armário, na gaveta de uma cómoda, no sótão e na despensa. […] O livro era agora o meu refúgio e a minha casa, uma casa onde tudo era imprevisível e estranho e onde as letras tinham espessura e cheiro como se fossem humanas. […]»  
 
José Jorge Letria, «Perdido num livro», in A mão esquerda de Cervantes



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